
CONCERTO DUPLO: CAPDEVILLE & GOEBBELS

Descrição
Uma exploração ao universo do teatro-música, um género performativo que surge na Europa durante os anos 60 do século XX, logo após a Segunda Guerra Mundial, com o intuito de quebrar com as formas convencionais em vigor (como a ópera e o concerto). O teatro-música combina diferentes expressões artísticas (música, teatro e dança), baseia-se em linguagens idiossincráticas e notação não-convencional, e recorre a fontes heterógenas (música, eletroacústica, texto, imagens, objetos, gesto, entre outras).
A obra Double, de Constança Capdeville, como o próprio título sugere, é construída a partir de diversos tipos de dualidade: a dualidade cénico-musical, expressa através da relação entre elementos visuais e auditivos muito característicos da estética da compositora, sobretudo nas suas obras de teatro-música; a dualidade na interação entre o performer e o seu duplo, ao qual reage, mantendo simultaneamente o seu próprio percurso ao longo da performance; e a dualidade visual e sonora de cada intérprete que, independentemente das suas intervenções e dos seus duplos, é constantemente integrada no somatório de duplicações que constitui o todo da obra. Double apresenta de forma evidente a ideia de jogo: um ator que substitui outro, como um duplo cinematográfico.
A nova produção de Walden, dirigida por Heiner Goebbels, quase vinte anos após a sua primeira apresentação, reúne novamente o solista e narrador Keir Neuringer, o Solistenensemble Kaleidoskop e uma nova criação de luz e som. Inspirada nos textos de Henry David Thoreau, figura central do pensamento ambientalista e da desobediência civil, a obra parte da experiência do autor em Walden Pond para refletir sobre natureza, liberdade e formas alternativas de existência, afirmando-se como uma experiência imersiva e profundamente atual. Sobre esta nova versão de Walden, Heiner Goebbels refere: “Esperei quase dez anos por uma adaptação tão eficaz e criativa da minha Walden (‘A Vida nos Bosques‘). O Ensemble Klang conseguiu-o.”
Constança Capdeville Double para voz, violoncelo, piano, dois percussionistas, coro mudo, duas fitas magnéticas e luz – duração 21’ aproximadamente
Double foi concebida por Constança Capdeville, por encomenda da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) para os 6.os Encontros Gulbenkian de Música Contemporânea, estreando a 3 de junho de 1982 no Auditório II da FCG, sob direção da compositora, naquela que foi a única apresentação da obra. Escrita para voz, violoncelo, piano, dois percussionistas, coro mudo, duas fitas magnéticas e luz, insere-se no teatro-música e organiza-se em prólogo, oito intervenções e epílogo. Na estreia participaram António Wagner Diniz, João Paulo Santos, Luísa Vasconcelos, Jorge Peixinho, João Heitor, Carlos Alberto Augusto e bailarinos do Dança Grupo. A obra explora a ideia de dualidade — cénico-musical, entre performer e duplo e entre dimensões visuais e sonoras — estruturando-se como um jogo de relações e substituições entre intérpretes.
Heiner Goebbels Walden para palavra falada, percussão, guitarra de mesa e daxofone (Keir Neuringer); Ensemble Klang e Solistenensemble Kaleidoskop; Compositor e encenador: Heiner Goebbels; Luz: Marc Thein; e Som: Micha de Kanter – duração 1h10’
Walden ou A Vida nos Bosques (versão para ensemble), de Heiner Goebbels, é uma obra de teatro-música inspirada no livro homónimo de Henry David Thoreau (1854). Estruturada como uma sucessão de esboços musicais, combina canção e palavra falada, explorando temas como natureza, liberdade e desobediência civil. Criada para o Ensemble Klang (Haia), Solistenensemble Kaleidoskop (Berlim) e o solista Keir Neuringer, com adaptação de Pete Harden, luz de Marc Thein e som de Micha de Kanter, a obra destaca-se pela riqueza das suas texturas sonoras e pela dimensão performativa, afirmando-se como uma experiência imersiva e singular no teatro-música contemporâneo.
O Festival de Teatro-Música: Cartografias em Movimento (2.ª edição) propõe uma viagem pelo universo do teatro-música, cruzando música, corpo, palavra e movimento numa experiência performativa intensa e imersiva. Inspirado num género impulsionado em Portugal por Constança Capdeville e profundamente marcante nas décadas de 60, 70 e 80 do século XX, o Festival revisita obras e criadores que definiram esta linguagem artística, colocando-os em diálogo com novas abordagens contemporâneas.
Mais do que revisitar um património performativo, Cartografias em Movimento desenha um mapa vivo do teatro-música europeu, onde diferentes geografias estéticas se encontram, se transformam e continuam a desafiar convenções. Cada criação propõe um território singular entre som, gesto e cena, convocando o público para uma experiência de proximidade e participação. Entre memória e reinvenção, o Festival afirma o teatro-música como uma linguagem atual, inquietante e em permanente movimento.
A programação reúne duas obras emblemáticas de diferentes gerações do teatro-música — Double (1982) de Constança Capdeville, apresentada como um reenactment num dispositivo que cruza intérpretes da estreia e novas gerações de performers, e Henry Thoreau’s Walden (2026) de Heiner Goebbels, expressão marcante de uma abordagem contemporânea ao género, estabelecendo um diálogo contínuo entre memória e reinvenção no teatro-música europeu.
Sessions
- 9 Jun 202720:00
Credits
- CONCERTO DUPLO
- CAPDEVILLE & GOEBBELS
- Direção, coordenação artística e curadoria
- Filipa Magalhães
- Double de Constança Capdeville -
- Intérpretes:
- Voz
- José Corvelo
- Violoncelo
- Ângela Carneiro
- Piano
- João Paulo Santos
- Atores / percussionistas
- Luís Madureira e Marcello Urgeghe
- Bailarinos / Coro Mudo
- alunos da Faculdade de Motricidade Humana – FMH de Lisboa
- Coreografia
- Ângelo Cid Neto
- Gravações em fita magnética
- Carlos Alberto Augusto
- Luz
- Nuno Patinho
- Encenação
- Filipa Magalhães e João Paulo Santos
- | Walden de Heiner Goebbels
- –
- Ensemble Klang
- :
- Trombone
- Anton van Houten
- Saxofones, clarinetes e flautas
- Michiel van Dijk
- Saxofones, clarinete contrabaixo
- Daan van Koppen
- Teclados e piano
- Saskia Lankhoorn
- Percussão, guitarra de mesa e sinos tocados com arco
- Joey Marijs
- Guitarras, hammered dulcimer e violoncelo de aço
- Pete Harden
- Solistenensemble Kaleidoskop
- :
- Violino
- Anna Faber
- Violino, sinos tocados com arco e violoncelo de aço
- Grégoire Simon
- Violeta
- Yodfat Miron
- Violoncelo
- Sophie Notte
- Contrabaixo e guitarra baixo
- Raivis Misjuns
- Interpretação vocal, percussão, guitarra de mesa e daxophone
- Keir Neuringer
- Composição e Direção de cena
- Heiner Goebbels
- Luz/iluminação
- Marc Thein
- Walden is made possible with support from
- the Goethe-Institut, Ernst Von Siemens Musikstiftung, Performing Arts NL and the City of The Hague
- Equipa Técnica
- :
- Direção de produção
- Marieke Schiphorst
- Direção de marketing
- Niké Mulder
- Imagem e styling
- Femke van Hilten
- Técnico/a de produção
- Doris Veldman
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