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Música

Glockenwise

Vale tudo para chegar a algum lado

Glockenwise

© Renato Cruz Santos

Há um antes e depois de Plástico, o viciante álbum de 2018, quando a palavra portuguesa, em substituição do idioma inglês, atribuiu-lhes uma eloquência que expôs com orgulho um sentimento de pertença a uma cultura e a um lugar. Quem os viu ao vivo sabe que os Glockenwise são “uma banda de Barcelos”, e quem testemunhou o épico concerto que encenaram na nossa sala, aquando do lançamento de Gótico Português, compreende o quanto essa geografia é identitária e formadora das suas canções. Por isso, após mais um regresso a casa, os Glockenwise voltam a falar do mundo comum através das suas próprias lutas, depois de olharem para dentro, recuperando um passado que, sendo deles, acaba por ser de todos nós. Nascidos após a "guerra do caulino” — um movimento social ativista em Barcelos no final dos anos 80 que lutou contra a expropriação de terrenos e a exploração da rocha argilosa —, mostram-nos como a história parece forçar-nos a repetir ciclos, adiando inapelavelmente o futuro que teima em fugir-nos do horizonte. Que uma canção pode ser uma arma, já o sabíamos; resta-nos receber dos Glockenwise as coordenadas desta missão coletiva, onde “vale tudo para chegar a algum lado”, finalmente.

Sessões

  • 16 dez 202621:00

Ficha técnica

Voz, guitarras
Nuno Rodrigues
Guitarras, coros
Gil Amado
Baixo elétrico
Rui Fiusa
Piano, teclas
Sérgio de Bastos

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