
Quanto mais comia, mais o vazio enchia
Quanto mais comia, mais o vazio enchia

A história e evolução da esperança, dos medos e dos deuses está, por hábito, relacionada com as distintas visões da morte que definem e descrevem uma sociedade. Para muitos é um fim e para outros um recomeço. Pensamos em alma, em sopro, em vida, no além e em depois. Só que quem fica tem de lidar com o seu copo meio cheio de lágrimas e absolutamente vazio de sentido. Face ao luto, o hedonismo é um penso-rápido aplicado numa ferida que insiste em não sarar e cuja dor ultrapassa qualquer diagnóstico. A partir de certos finais, só a companhia de quem está é capaz de acalmar a memória de quem foi. A carne, feitas as contas, nem sempre é para comer — às vezes é apenas para chorar.
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- 10 Oct 202621:30
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