
MEDEIA MATERIAL

O mito de Medeia acompanhou Heiner Müller durante mais de trinta anos, até ao fim da sua vida de escritor. A personagem surge em fragmentos escritos logo após a guerra. H. Müller declara que se inspirou em três Medeias: a de Eurípides, fundadora e irrepetível, a de Séneca, provavelmente escrita só para ser lida, dura, sem corpo, e a de Hans Henny Jahn, estreada em 1926, uma Medeia negra. Considera que Medeia e os Argonautas simbolizam a passagem do mito à história, são o momento original da colonização organizada. E acima de tudo, ele vê no mito a possibilidade de obrigar os seus contemporâneos a refazerem a sua posição no mundo, abandonando soluções unívocas. Esta Medeia reproduz o sentido do mito: o amor que submete a fêmea traindo e assassinando o seu clã; as civilizações que se encaminham para a racionalidade totalitária, coerciva, enquanto demonstração de força. A peça de Müller mantém a sanguinolência primitiva: um comportamento anterior à razão que perdura no mistério dos instintos humanos.
Sessões
- 17 set 202621:30
- 26 set 202616:00