Music

Conferência – O mesmo nada em tudo: a torção barroca do olhar e o desengano do mundo

Paulo Pires do Vale

Conferência – O mesmo nada em tudo: a torção barroca do olhar e o desengano do mundo

Ciclo de Conferências Como pensar o nada no excesso que associamos, habitualmente, ao barroco? Retomando uma operação comum nos séculos XVII e XVIII, proponho um desvio por torção, para nos aproximarmos do que se esconde diante de nós — em anamorfose — nas obras engenhosas desse período. Como escreveu Monteverdi, «há um outro ponto de vista a considerar» e a estratégia alegórica barroca revela que tudo é, sempre, outra coisa. Aqui, o barroco não será entendido como formalismo superficial e decorativo; aproximar-me-ei da mundivisão e da «alma barroca»; do estilo enquanto modo de estar, de percecionar e de se orientar na cena do mundo; da tensão que aí se revela entre sedução corporal e persuasão espiritual, entre sensualidade e transcendência, entre poder dirigista e fulgor imaginativo, entre folia e lamento, entre atenção à realidade efémera e desejo de infinito. Ou seja, do desequilibrismo no intenso confronto com o tempo, esse labirinto feito de dobras. Poderá a retórica barroca, enquanto rebelião e recusa da ordem e serenidade clássicas, servir-nos para comentar o presente?   Esta conferência realiza-se no âmbito do concerto Da Desordem das Paixões, de Os Músicos do Tejo e Sofia Dias & Vítor Roriz, nos dias 26 e 27 de junho, às 20h e 19h respetivamente.

Sessions

  • 26 Jun 202618:30